
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) confirmou que a espuma registrada no Rio Meia Ponte, em trechos próximos ao Goiânia 2 e ao Setor Jaó, tem origem na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Hélio Seixo de Brito, operada pela Saneago.
A vistoria foi realizada em 26 de agosto de 2025, após denúncias da população e registros na imprensa. Técnicos da Semad percorreram quatro pontos do rio, coletaram amostras de água, produziram fotos e vídeos, e mediram parâmetros de qualidade por meio de uma sonda multiparamétrica.
Resultados da fiscalização
Os dados preliminares indicaram que os pontos a jusante da ETE apresentaram maior concentração de espuma. Também foram detectados níveis de oxigênio dissolvido abaixo do exigido pela Resolução nº 357/2005 do Conama: 3,9 mg/L e 3,6 mg/L, quando o mínimo aceitável para rios de Classe 3 é 4 mg/L. Nos demais pontos, os valores foram de 7,7 mg/L e 5,1 mg/L.
As imagens coletadas registraram ainda a formação intensa de espuma no interior da própria estação, reforçando o vínculo entre o lançamento e as alterações observadas no rio.
Reunião com a Saneago
No dia seguinte à vistoria, a Semad reuniu-se com representantes da Saneago. A empresa reconheceu que a espuma teve origem na estação, associada à entrada em operação do novo sistema secundário de tratamento de esgoto, implantado em julho de 2025.
Segundo a companhia, o processo de lodo ativado, que elevou a eficiência do tratamento de 50% para até 92%, gera naturalmente a formação de espuma em razão da ação de bactérias e da presença de surfactantes — substâncias presentes em detergentes e produtos de limpeza. A baixa vazão do período de estiagem e o turbilhonamento do rio contribuem para intensificar o efeito visual.
A Saneago destacou que não há uso de produtos químicos adicionais, apenas injeção de oxigênio para ativação do lodo, e que a tendência é de redução gradual da espuma com a estabilização do sistema.
Medidas determinadas pela Semad
A Semad determinou:
Estudos específicos sobre a concentração de surfactantes lançados no rio;
Análises laboratoriais adicionais das amostras coletadas;
Novas vistorias no Rio Meia Ponte nas próximas semanas.
“A Semad seguirá acompanhando a situação de perto, com monitoramentos e fiscalizações, garantindo que a operação da ETE esteja em conformidade com os padrões ambientais e assegurando a qualidade da água do Rio Meia Ponte, essencial para a população goiana”, reforçou a equipe técnica responsável.
