
Na segunda-feira (23), em conversa com jornalistas, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos estão negociando com uma “figura importante” do regime do Irã para tentar encerrar a guerra, mas que esta pessoa não seria o novo líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei.
Embora Trump e outros membros do seu governo não tenham confirmado, o site Politico informou em reportagem nesta semana que Washington estaria avaliando o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, como um potencial parceiro e até mesmo futuro líder do país.
A ideia seria que Ghalibaf desempenhasse um papel semelhante ao que a ditadora Delcy Rodríguez vem exercendo na Venezuela desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro: uma liderança interina menos radical, disposta a conversar com Washington (e atender às suas reivindicações) ao mesmo tempo em que não representa uma mudança brusca de regime, evitando conflitos internos.
Quem é Ghalibaf
Ghalibaf, de 64 anos, teve carreira militar, combatendo na Guerra Irã-Iraque (1980-1988) e servindo na temida Guarda Revolucionária Islâmica (cuja Força Aérea comandou entre 1997 e 2000), foi comandante das Forças Policiais Iranianas, prefeito de Teerã (2005-2017) e hoje é professor da Universidade de Teerã.
Ele é presidente do Parlamento do Irã desde 2020 e foi candidato em três eleições presidenciais, sendo derrotado em todas. Na disputa mais recente, em 2024, ficou em terceiro lugar, com 14% dos votos.
Analistas apontam que Ghalibaf tem grande influência em várias esferas do regime e seria menos ideológico do que outros nomes da ditadura islâmica, o que o tornaria atraente para os Estados Unidos.
“Ele é quem manda em tudo”, disse Hamidreza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, em entrevista à CNN Internacional. “Para ele, os fins justificam os meios.”
Ghalibaf se orgulhou de ter agredido manifestantes
Apesar desse perfil teoricamente mais pragmático, Ghalibaf tem um histórico condenável na área de direitos humanos: ele apoiou a violenta repressão do regime aos protestos de dezembro do ano passado e janeiro deste ano e, em um áudio de 2013, se gabou de ter agredido manifestantes quando serviu na Guarda Revolucionária.
“Há fotografias minhas disponíveis, mostrando-me na garupa de uma moto, batendo [nos manifestantes] com paus de madeira. Eu estava entre aqueles que participavam das agressões nas ruas e tenho orgulho disso”, disse Ghalibaf.
Outra evidência de que o presidente do parlamento do Irã está longe de ser moderado é que ele compareceu ao funeral do ex-líder do grupo terrorista libanês Hezbollah (apoiado por Teerã) Hassan Nasrallah e do líder sênior Hashem Safieddine, mortos em ataques de Israel em Beirute em 2024.
Na segunda-feira, ele refutou declarações de Trump de que as negociações com o regime estão avançando.
“Não houve negociações com os EUA, e fake news são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”, escreveu Ghalibaf no seu perfil no X.
As próximas semanas dirão se ele realmente poderá se tornar a “Delcy do Irã”.
