A Prefeitura de Goiânia oficializou, nesta quarta-feira (6/5), a criação da Rede de Proteção à Mulher e a institucionalização da Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência. A iniciativa, assinada pelo prefeito Sandro Mabel no Paço Municipal, tem como foco integrar serviços, agilizar encaminhamentos e garantir atendimento contínuo, humanizado e articulado às vítimas.
De acordo com o prefeito Sandro Mabel, a proposta busca consolidar uma estrutura capaz de oferecer suporte completo, desde o primeiro atendimento até o acompanhamento contínuo. “A meta é assegurar acolhimento integral, envolvendo denúncia, proteção, abrigo, assistência social e psicológica, além de ações preventivas, especialmente diante do crescimento dos casos de violência contra mulheres”, afirmou.

A especialista em políticas de saúde e consultora do Ministério da Saúde, Cheila Marina de Lima, destacou o caráter histórico da medida. Segundo ela, após mais de duas décadas, o município formaliza uma rede estruturada de atendimento às pessoas em situação de violência, com atenção especial às mulheres em todas as fases da vida. A promotora de Justiça Carla Brant também ressaltou a relevância da iniciativa, classificando o momento como um avanço significativo na proteção às vítimas.

Durante a solenidade, foram apresentados dados que evidenciam a gravidade do cenário. Em 2025, entre janeiro e outubro, foram registrados 2.888 casos de violência contra a mulher na capital. Em março de 2026, foram contabilizados 965 registros. Outro dado preocupante aponta que metade das mortes ocorreu até 32 dias após a notificação, enquanto 25% aconteceram em até três dias. Em contrapartida, mulheres devidamente encaminhadas à rede de proteção apresentam redução de 64% no risco de feminicídio.
O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, anunciou a implantação de Consultórios Lilás em todas as unidades de urgência da capital, voltados ao acolhimento especializado. “A integração entre as áreas permitirá compreender a situação de forma completa e oferecer atendimento mais eficaz em todas as dimensões”, destacou.
A Rede de Proteção à Mulher reúne diversos órgãos e instituições, incluindo setores da saúde, assistência social, segurança pública, sistema de justiça, universidades e conselhos de direitos. Já a Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência amplia o atendimento para diferentes públicos em situação de vulnerabilidade, como crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, migrantes e pessoas em situação de rua.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, Erizania de Freitas, explicou que a proposta prevê análise individualizada dos casos e atuação conjunta entre os órgãos. A juíza Hanna Lídia Rodrigues reforçou que o trabalho exige sensibilidade e integração. “Cada situação demanda escuta qualificada e resposta adequada dos serviços públicos”, pontuou.
Com atuação intersetorial, a iniciativa envolve áreas como saúde, educação, assistência social, direitos humanos e segurança pública. Além do atendimento direto, as redes também atuarão na prevenção, monitoramento de casos, produção de dados e apoio à formulação de políticas públicas.
A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades municipais e representantes de instituições parceiras.
Legenda: Prefeitura de Goiânia cria redes integradas para fortalecer a proteção e o atendimento a vítimas de violência na capital

