Demorou, mas a CBF acordou para a realidade do atual futebol brasileiro, que tem decepcionado tanto nas participações da pentacampeã seleção nas últimas seis Copas quanto nas participações dos times nas finais dos mundiais de clubes, e resolveu chamar os cartolas para uma conversinha particular.
Decidiu-se pela redução gradual do número de jogadores de outros países até 2030, o que não deixa de ser um avanço, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, pois a encruzilhada do futebol brasileiro vai de estrangeiros aos jovens sem identidade com a seleção.
Talvez o ponto mais crítico seja exatamente a saída prematura dos melhores craques para o exterior, especialmente para o futebol europeu, sem que ganhem carinho e respeito pelas origens do nosso futebol.
Os garotos saem muito cedo e não se identificam com os clubes que os revelam, com os torcedores, com as tradições e isso parece muito claro no comportamento de muitos quando são chamados para servir a seleção nacional. Não rendem na seleção o mesmo que oferecem aos seus times europeus.
Claro que tudo isso está vinculado à Lei Pelé, que retirou dos clubes, que constroem os centros de treinamentos, investem na formação dos jogadores e acabam ficando sem o direito do antigamente chamado passe para transferências.
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Surgiu a figura do empresário, que agencia a família do craque, via de regra humilde, e atua como seu representante nas negociações, invariavelmente optando por aceitar as propostas milionárias de fora do país.
Claro que a redução de jogadores estrangeiros nos nossos times vai abrir a possibilidade de maior quantidade de aproveitamento das revelações que surgem, mas fazendo uma paródia do imortal Garrincha, ao ouvir as instruções do técnico Vicente Feola, antes do jogo com a União Soviética: “Mas vocês combinaram com os russos ?”.
Sim, para fazer tudo aquilo que o treinador pedia para fazer em campo, só mesmo combinando com os adversários. É a mesma coisa agora: os dirigentes da CBF e dos clubes já combinaram com os empresários dos jogadores o novo acordo para tentar recuperar o tempo perdido ?
Antônio Carlos Carneiro Neto é um dos nomes mais importantes da imprensa esportiva do Paraná. Nascido em Wenceslau Braz em 7 de julho de 1948 e criado em Guarapuava, começou como repórter de rádio e jornal em Ponta Grossa, em 1964, e chegou a Curitiba no ano seguinte para estudar — formando-se, tempos depois, em Direito.
Ao longo de décadas, passou por todas as emissoras de rádio e televisão da capital como repórter, narrador e comentarista, além de assinar colunas diárias na Gazeta do Povo. Foi também o criador dos prefixos da Banda B e da CBN, no fim dos anos 1990.
Escritor de oito livros, emplacou best-sellers como “Atletiba — A Paixão das Multidões” (1994) e “É Disso Que o Povo Gosta” (2019). Em 2016, foi eleito para a Academia Paranaense de Letras, tornando-se imortal.
Atleticano assumido, participou da história do clube nos mais diversos momentos. Hoje, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, sucesso de audiência – provando que, como ele mesmo diria, é um privilégio ser contemporâneo de Carneiro Neto. Clique aqui para ler todas as colunas de Carneiro Neto.
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