
Transformar potencial em desenvolvimento é o objetivo do Celeiro Cerrado, iniciativa criada pela Agenda Pública com apoio da Lundin Mining com foco de atuação no Norte de Goiás, região centro-oeste do País. Concebida como uma plataforma de inovação, o Celeiro Cerrado tem como propósito conectar diferentes agentes do território para fortalecer setores estratégicos como mineração, agropecuária, logística, energia, turismo e formação profissional, ampliando as perspectivas de crescimento e geração de oportunidades no Norte de Goiás.
A iniciativa reúne, em uma mesma estrutura, três funções que atuam concomitantemente. A Agência de Desenvolvimento, que atua articulando prioridades comuns entre os municípios; o Escritório de Projetos, que é responsável por apoiar a estruturação de iniciativas e a busca por recursos; e o Polo de ciência, tecnologia e inovação, que trabalha aproximando instituições como a Universidade Estadual de Goiás (UEG), o Instituto Federal de Goiás (IFG) e empresas da economia local.
“O Norte de Goiás reúne ativos muito relevantes e complementares. A proposta do Celeiro Cerrado é criar as condições para que municípios, empresas, instituições de ensino e demais agentes territoriais consigam enxergar essas oportunidades de forma integrada e transformá-las em projetos concretos, investimentos e novas possibilidades para quem vive no território”, afirma Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública.
Nesta fase inicial, o Celeiro Cerrado conta com participação dos municípios de Alto Horizonte e Nova Iguaçu de Goiás, enquanto a estratégia territorial prevê a ampliação da rede para Campinorte e Mara Rosa. A Agenda Pública responde pela secretaria executiva durante o período de incubação, e o planejamento prevê a construção gradual da autonomia institucional do Celeiro ao longo de 10 anos.
A expectativa é que, à medida que a estrutura avance, o Celeiro Cerrado fortaleça a capacidade do próprio território de identificar oportunidades, desenvolver projetos, mobilizar recursos e construir parcerias de longo prazo.
“Um território se fortalece quando consegue transformar suas próprias potencialidades em capacidade permanente de desenvolvimento. O Celeiro nasce com essa perspectiva: deixar instrumentos, conhecimento, articulação e projetos que continuem gerando oportunidades no longo prazo”, explica Andrade.
Um território conectado a grandes corredores econômicos
Mas, por que o norte de Goiás foi escolhido para o projeto? A resposta está nos números e na infraestrutura já ativa no estado. Entre os ativos da região estão a BR-153 e a Ferrovia Norte-Sul, que conectam a produção local a importantes corredores logísticos e aos portos de Itaqui, no Maranhão, e Santos, em São Paulo. Alto Horizonte, por sua vez, concentra uma das principais operações de cobre e ouro do País e registrou PIB per capita de R$ 102 mil em 2023.
O potencial agropecuário também amplia as possibilidades de desenvolvimento. No recorte mais amplo do Norte de Goiás, analisado pelo estudo formado por 89 municípios, estão 18,8% do Valor Adicionado Bruto agropecuário estadual e 45,9% das pastagens de Goiás. A macrorregião reúne ainda mais de 60 mil estabelecimentos rurais, 152 armazéns e capacidade de armazenamento de 850 mil toneladas, dados esses da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás que evidencial o potencial socioeconômico.
Nesse mesmo recorte, há 4,6 milhões de hectares apontados com potencial para agropecuária sustentável sem necessidade de abertura de novas áreas de Cerrado. O diagnóstico também identifica oportunidades relacionadas à cadeia leiteira, à produção de frutas, à rastreabilidade e à agregação de valor à produção agropecuária.
Quatro cenários para pensar o Norte de Goiás até 2036
Como parte desse processo de planejamento, a Agenda Pública elaborou o estudo Cenários Prospectivos 2026–2036, que analisa quatro futuros possíveis para a região a partir de duas variáveis: a capacidade de coordenação entre os atores do território e o ambiente de mercado e investimentos.
Os quatro cenários que foram divididos em O Estradão, A Vereda, Foi Só um Verão e Estiagem Prolongada —, não são previsões. Eles funcionam como instrumentos para que gestores públicos, empresas privadas e demais instituições possam avaliar previamente como diferentes condições econômicas podem afetar o território e quais decisões fazem sentido em cada situação.
Além dos cenários mencionados, o projeto Celeiro Cerrado prevê acompanhar indicadores como emprego formal fora da indústria extrativa, investimentos captados, formação técnica, vendas da agricultura familiar, geração solar nos prédios públicos e evolução do ambiente empreendedor. “A ideia é utilizar dados para ajustar continuamente a carteira de projetos às oportunidades que surgirem ao longo dos próximos anos”, conclui o diretor-executivo da Agenda Pública.

