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    Lar»Esporte & Lazer»Casagrande compara Teatro Guaíra ao Maracanã antes de peça no Festival de Curitiba
    Esporte & Lazer

    Casagrande compara Teatro Guaíra ao Maracanã antes de peça no Festival de Curitiba

    M1 NEWSPor M1 NEWSmarço 17, 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura
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    Uma das maiores figuras do futebol brasileiro, Walter Casagrande Júnior sobe ao palco do Teatro Guaíra nos dias 3 e 4 de abril, às 20h30, com a peça “Na Marca do Pênalti”, que integra a programação do 34º Festival de Curitiba. Em entrevista exclusiva ao UmDois Esportes, o ex-jogador e atualmente comentarista falou sobre a ansiedada da estreia em um palco como o Guaírão.

    “É a primeira vez que vou subir num palco de um teatro importante como é o Guaíra. Vai ser tipo minha estreia na seleção brasileira no Maracanã. Eu não podia ensaiar para jogar no Maracanã. Eu ia entrar em campo e ir para o jogo. Vamos ver o que vai acontecer. O teatro, para mim, com esse monólogo, eu encaro dessa maneira”, declara.

    A peça dirigida por Fernando Philbert segue com venda dos ingressos no site do Festival de Curitiba, com valores de R$ 85,00 (inteira) e R$ 42,50 (meia-entrada). O convite para a capital paranaense surgiu pelo sucesso do monólogo em uma sessão no teatro do Corinthians, no fim do ano passado.

    Contudo, o que mais chama a atenção é que não há um roteiro fixo na peça. Na visão de Casagrande, uma das características marcantes dele na função como comentarista é a espontaneidade. Com isso, essa coragem que Casão tem ao falar se torna um trunfo.

    “Isso aí é uma curiosidade que chama a atenção de todo mundo, até do diretor quando começamos a conversar. Não foi uma exigência, mas um pedido meu. Só faço se não tiver roteiro ou texto porque não sou ator, então não tenho a técnica de memorizar um texto, e também não vou representar nada. Eu falo e respondo do jeito que vem na minha cabeça e eu gosto de contar as histórias dessa maneira. Ela tem que ter vida, não pode ser uma coisa interpretada”, conta ele.


    “Não sou um personagem. Vou contar a minha história. Infância, futebol, problemas com drogas, internação, Copa do Mundo, amigos que fiz durante minha vida, relações… Isso aí eu tenho na minha cabeça. Não preciso ler para contar minha história”, completa Casão.


    Espetáculo ‘vivo’, Casão ficou surpreso com convite

    Casagrande estará em Curitiba. (Foto: Divulgação)

    Com expectativa alta para o desafio, Casão se mostra bastante empolgado. Não só pela procura dos ingressos, já que mais de 50% dos ingressos já estão vendidos, mas também por se apresentar para um público diferente do que está acostumado e também por ser um ambiente totalmente novo.

    “Eu fiquei surpreso. Pensei ‘por que me convidaram?’ Aí fui me informar mais, vi o tamanho do festival, do teatro e a importância desse evento. Falei: ‘caramba, que bacana’. Aquilo que eu fiz no Corinthians, as pessoas gostaram mesmo e chamou a atenção. Vou repetir. As pessoas podem gostar, ou não. O dia pode ser bacana, como pode não ser tanto. Mas sou uma pessoa para cima e estou sempre aberto ao diálogo, para ouvir e falar. Quando eu subir ao palco, vai rolar a interação”, conta ele, empolgado.

    No entanto, a dificuldade deve ser muito maior. Sem saber como será a ansiedade no trajeto do camarim ao palco, Casagrande se prende pela animação e intensidade que espera ter no Festival de Curitiba.


    “No [teatro do] Corinthians, eu estava muito confortável. Pô, eu nasci no Corinthians. Estava lotado e eu conhecia 70% das pessoas, fizeram parte das histórias que eu iria contar. Foi muito gratificante, prazeroso e muito mais fácil. Acho que, em Curitiba, vai ser uma coisa muito mais forte porque é um primeiro encontro. Vou ter um outro público e vou estar em outro palco, outra cidade e em outro estado”, completa.


    A duração da peça é divulgada como dois tempos de 45 minutos. No entanto, a metáfora não é necessariamente verdade. Já que não existe roteiro, a duração também se torna maleável. Nesse cenário, Casagrande pode falar por mais de uma hora, sem intervalo, ou fazer uma pausa para interagir mais com o público.

    “Como o espetáculo não tem roteiro e texto, ele não tem ordem. É um espetáculo livre, aberto e direto. Eu faço o monólogo olhando o público, vendo a reação. Às vezes, eu sinto que as pessoas querem participar e falar algo. Pode ser que eu pare um pouquinho e converse um pouco com o público. É uma história de vida, então ter que ser um espetáculo vivo”, define.

    Casagrande construiu relação com o teatro na luta para superar o vício

    A cultura foi essencial na trajetória de Casagrande para superar a dependência química. Com o perfil rock ‘n’ roll, a batalha contra as drogas e a relação com outras personalidades, como Rita Lee, Gonzaguinha e João Nogueira, também estão na peça que retrata a vida do Casão.

    Casagrande afirma que ficava isolado com o uso de drogas. Portanto, um dos passos para voltar a ter uma vida normal foi começar a sair aos cinemas e teatros nos fins de semana.


    “O lance é assim: quando tive meu problema sério com drogas, virei dependente químico, fui para o fundo do poço e acabei internado. Eu fiquei um ano internado, fiz um tratamento longo, muito tempo isolado e eu trabalhei muita coisa. Na parte final, da ressocialização, meu psicólogo e psquiatra arrumaram uma estratégia que eu tinha que sair toda sexta-feira e sábado, com uma psicológa, para ir ao teatro e no cinema“, diz.


    “Chegou uma hora que eu comecei a pegar gosto e ter o prazer. Foi uma substituição: eu tirei aquele prazer falso que a droga dá e consegui substituir com a cultura e a arte. Continuo indo no teatro, no cinema todo final de semana. Inclusive, conheci o diretor do monólogo quando fui assistir uma peça dele”, lembra.

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