
Um empresário de Catalão foi condenado por injúria racial com agravante de homofobia. A decisão, confirmada em segunda instância, decorre de um processo movido por seu próprio neto adotivo, que alegou ter sido impedido de continuar trabalhando na distribuidora de sorvetes da família devido à sua orientação sexual.
A empresa, de médio porte e bastante conhecida na cidade, pertence ao avô da vítima, identificado como Oscar Breckmann. Segundo relatos do processo, Oscar não teria aceitado a presença do neto no ambiente de trabalho após este assumir sua homossexualidade, e teria dito que a orientação sexual do neto era um vício, que “passaria” com o tempo, e que aquilo era uma “aberração” contrária aos preceitos religiosos.
Arthur Machado Ribeiro, o neto, relatou ainda que o avô afirmou não querer mais sua presença na sorveteria e nem mesmo em sua família devido ao seu “jeito”. Oscar teria inclusive dito que era melhor a avó de Arthur ter falecido antes de saber da orientação sexual do neto. Em um episódio posterior, após uma apresentação da orquestra da qual fazia parte, Arthur afirmou que o avô saiu estressado ao ver seu ex-namorado no local.
De acordo com os trechos extraídos do processo, Oscar também teria afirmado que Arthur não era bem-vindo ali se não mudasse seu “jeito”. Em outro trecho, ele teria dito: “sempre pensei em te ter como filho, mas, após isso, não quero mais”. O pai adotivo também teria se referido ao filho com termos como “viadinho de m…” e “vira homem”, além de sugerir que o rapaz deveria “virar homem” desde criança.
A denúncia afirma que os episódios ocorreram ao longo de vários anos e culminaram com Arthur deixando o trabalho na empresa da família. Ele teria procurado atendimento psicológico e expressado o desejo de representar criminalmente o avô e o pai. A reportagem ainda tenta contato com Arthur.
Oscar Breckmann é figura conhecida na cidade, e ficou famoso nas redes sociais por manifestar apoio ao ex-Presidente Jair Bolsonaro de forma enérgica, em semáforos, vestido com as cores do Brasil, defendendo pautas como a intervenção militar. Nas últimas eleições, tentou se eleger vereador, mas não obteve sucesso, amargando 839 votos com o slogan “Oscar Patriota”.
O empresário também já moveu um processo contra um jornalista local por calúnia e difamação. Agora, no entanto, foi ele quem acabou condenado. A sentença proferida pelo juiz Breno Gustavo Gonçalves dos Santos foi confirmada em segunda instância e determina reclusão de um ano e seis meses, com agravantes por injúria racial e homofobia.
Procurado para comentar a decisão, o empresário não retornou às tentativas de contato. O espaço permanece aberto.
