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    Irã pode recorrer à “guerra nas sombras” contra EUA e Israel

    M1 NEWSPor M1 NEWSmarço 16, 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura
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    O regime do Irã pode recorrer à chamada “guerra nas sombras” para ampliar a pressão sobre os Estados Unidos e Israel após a escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, com os ataques americanos e israelenses contra alvos iranianos. A avaliação foi feita por autoridades de segurança e analistas da área de relações internacionais e defesa.

    Segundo essas avaliações, Teerã pode tentar atingir interesses americanos e israelenses fora do Oriente Médio, por meio de ações indiretas como atentados, sabotagens, espionagem, ataques cibernéticos ou operações conduzidas por intermediários, com o objetivo de ampliar o custo da guerra sem atrair novos atores para o campo de batalha. Nações da Europa e até o próprio território dos Estados Unidos são considerados possíveis alvos desse tipo de estratégia.

    Tal padrão já foi observado em confrontos anteriores envolvendo o Irã. Durante a chamada Guerra dos 12 dias do ano passado, quando Estados Unidos e Israel atingiram instalações nucleares do regime, autoridades de segurança ocidentais e israelenses já haviam alertado para o risco de retaliações indiretas do Irã fora do Oriente Médio, incluindo ataques contra alvos ligados aos dois países, EUA e Israel, em território europeu.

    À Gazeta do Povo, a professora Geni Emília de Souza, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Cruzeiro do Sul Virtual, afirma que esse tipo de atuação faz parte da estratégia tradicional do regime islâmico quando este enfrenta adversários militarmente superiores. Segundo ela, o Irã costuma recorrer à guerra nas sombras para ampliar o custo do conflito sem depender apenas do confronto convencional. Souza observou que este tipo de estratégia tende a se tornar mais provável em momentos de forte pressão militar contra o regime, como no cenário atual.

    Investigações conduzidas por autoridades europeias indicam que esse tipo de operação já foi realizada pelo regime iraniano em diversas ocasiões. Em junho de 2018, forças de segurança da Bélgica, França e Alemanha frustraram um atentado contra um encontro de opositores do regime islâmico perto de Paris. Segundo a investigação, o ataque havia sido organizado de forma clandestina por agentes ligados a Teerã e seria executado por intermediários, em um modelo típico de ação indireta. O plano, segundo as autoridades, foi coordenado pelo diplomata iraniano Assadollah Assadi, que acabou condenado por terrorismo pela Justiça belga. Ele foi libertado em 2023 durante uma troca de prisioneiros.

    Autoridades europeias também já relacionaram o regime iraniano a diversas tentativas clandestinas de assassinato de dissidentes na Holanda e na Alemanha, além de vários ataques contra alvos ligados à comunidade judaica no continente. Relatórios de segurança analisados pelo Parlamento Europeu (PE) também apontam que, nos últimos anos, Teerã passou a utilizar com maior frequência intermediários nas sombras e até organizações criminosas para executar operações no exterior, justamente para dificultar a atribuição direta ao regime iraniano.

    Segundo Souza, a guerra nas sombras permite ao regime islâmico ampliar o alcance do confronto em curso sem depender apenas do campo de batalha convencional, atingindo interesses de adversários em diferentes regiões. A analista explica que esse tipo de guerra é liderada pela Guarda Revolucionária do Irã, em especial pela Força Quds, unidade responsável por coordenar operações externas.

    “Ataques realizados por intermediários podem funcionar como instrumentos de dissuasão política e simbólica, sinalizando que Teerã possui capacidade de responder a pressões militares mesmo fora do campo de batalha convencional”, afirmou Souza.

    Europa em alerta

    Nos últimos dias, autoridades europeias passaram a investigar episódios que já podem estar relacionados ao atual contexto de guerra. Na Bélgica, uma explosão danificou a fachada de uma sinagoga na cidade de Liège, e o caso está sendo tratado como possível ataque com motivação política.

    No Reino Unido, quatro homens foram presos sob suspeita de colaborar com o serviço de inteligência iraniano após monitorarem locais ligados à comunidade judaica. Na Noruega, a polícia apura uma explosão registrada na entrada da embaixada dos Estados Unidos em Oslo. A hipótese de terrorismo é considerada pelas autoridades, embora a causa ainda não tenha sido confirmada.

    Na semana passada, a agência policial europeia Europol alertou que o nível de ameaça terrorista na União Europeia está elevado. Segundo o porta-voz da corporação, Jan Op Gen Oorth, a guerra no Oriente Médio pode provocar ataques, sabotagens e outras ações de grupos ligados ao Irã fora da região do conflito, com países europeus entre os possíveis alvos.

    EUA também estão atentos

    Além da Europa, autoridades de segurança dos Estados Unidos elevaram o nível de vigilância diante da possibilidade de ações indiretas ligadas ao regime iraniano. Segundo reportagem do Los Angeles Times, órgãos federais passaram a monitorar nos últimos dias sinais que poderiam indicar a ativação de células clandestinas associadas a Teerã em território americano após o início da guerra.

    Estão sendo analisadas transmissões de rádio com códigos numéricos detectadas por serviços de inteligência, que, segundo investigadores, poderiam estar sendo usadas para enviar instruções a agentes ou simpatizantes do regime islâmico fora do Oriente Médio.

    Segundo cita a publicação, órgãos de segurança americanos alertaram que o Irã tem simpatizantes e até criminosos comuns dispostos a realizar ataques fora do Oriente Médio. Atos desse tipo não seriam uma novidade, uma vez que o Departamento de Justiça dos EUA já acusou integrantes da Guarda Revolucionária do Irã de tentar contratar assassinos para matar autoridades americanas, como John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. O Departamento também já investigou planos do regime do Irã para atentar contra Trump e dissidentes iranianos que vivem no país.

    Especialistas em contraterrorismo ouvidos pelo jornal americano afirmam que o uso de células adormecidas, lobos solitários ou grupos aliados nos EUA integra a estratégia iraniana em momentos de confronto direto com potências ocidentais.

    “Células adormecidas sempre foram uma preocupação quando se trata do Irã e de seus aliados”, disse Horace Frank, ex-chefe da divisão de contraterrorismo da polícia de Los Angeles. “Isso não é algo novo, mas, diante da situação atual, alguns desses grupos podem se sentir mais pressionados a agir”.



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