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    Lar»CINEMA»Os shows estão caros demais? Entenda por que valor de ingressos aumentou no Brasil e no mundo
    CINEMA

    Os shows estão caros demais? Entenda por que valor de ingressos aumentou no Brasil e no mundo

    M1 NEWSPor M1 NEWSfevereiro 3, 2026Nenhum comentário6 minutos de leitura
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    Shows estão ficando mais caros? Entenda o que tem causado alta dos preços de ingressos
    Ser fã de artista internacional nunca foi uma tarefa fácil, mas está mais custosa que nunca. Fãs de Harry Styles que o digam: os preços dos shows dele no Brasil, marcados para julho, surpreenderam até quem estava com a poupança em dia.
    Nas redes sociais, não faltam comentários de fãs decepcionados com os preços de shows internacionais. Claro, ver um artista gringo sempre custou um pouco mais. Mas os ingressos não estão caros demais? E será que esse problema é só no Brasil?
    O g1 ouviu especialistas em grandes shows para entender o que está por trás desses preços. Veja abaixo:
    Aumento vai além da inflação
    Não é novidade que a pandemia e os conflitos mundiais, como a guerra na Ucrânia, inflacionaram os preços. Mas não é só isso.
    Ao g1, um produtor de shows internacionais explicou alguns fatores que causaram a alta de ingressos:
    Aumento do cachê: artistas não conseguem mais se sustentar com streams e os shows são suas principais fontes de renda;
    Shows mais robustos: artistas estão investindo cada vez mais em shows com grandes aparatos de luzes, vídeo, som e efeitos especiais — e claro, fica caro transportar e montar essas estruturas;
    Tudo está mais caro: das passagens aéreas ao transporte de carga, salários, hotéis… tudo isso tem custado mais.
    O g1 procurou as produtoras Live Nation e a 30e, responsáveis pela maior parte dos shows internacionais no Brasil, mas elas não quiseram responder.
    Preços para o show de Harry Styles em 2022 (esquerda) e em 2026 (direita)
    Divulgação
    Estamos vendo os efeitos na prática. Fãs sofreram ao comparar os preços da “Love on Tour”, turnê que Harry Styles trouxe em 2022, e dos shows deste ano. Se, antes, a pista custava R$ 358 (inteira, sem taxas), hoje, o mesmo tipo de ingresso está R$ 700. Sim, os valores praticamente dobraram.
    Essa alteração é muito acima da inflação: nesse tempo, a inflação acumulada ficou em torno de 20% a 25%, o que levaria um ingresso médio de R$ 400 a custar hoje cerca de R$ 450.
    No caso de Styles, dá pra argumentar que o artista cresceu nesse tempo e que ele deve trazer um show mais robusto desta vez.
    Mas nem uma banda estável como o Iron Maiden passou ilesa a esse aumento no Brasil: entre 2022 e 2026, no geral, os ingressos dos shows da banda em São Paulo ficaram cerca de 49% mais caros (ou seja, o dobro da inflação). Isso sem contar as taxas.
    Harry Styles canta no Grammy 2023
    REUTERS/Mario Anzuoni
    O caso do Brasil
    É claro que o Brasil tem suas próprias questões. Uma delas é a lei da meia-entrada, que não existe em vários outros países. Um produtor ouvido pelo g1 explica que, como muitos fãs compram a meia, é preciso jogar o preço da inteira lá no alto para que a conta feche.
    Ele conta que outra questão é a tributação. O artista usa do cachê para despesas com passagens, transporte de carga, salários da equipe, alimentação, pagamento de empresários, ensaios, etc. Mas além disso, o cachê não chega inteiro para o artista, porque há a cobrança de impostos.
    Em alguns países da Europa, é possível que as despesas do artista sejam descontadas antes dos impostos, ou seja, os impostos incidem basicamente sobre o lucro líquido. Mas no Brasil e em alguns países da América do Sul, o imposto é cobrado diretamente sobre o valor bruto do cachê que o artista recebe.
    “Então, para trazer um artista, é preciso que exista um valor mínimo que justifique esses custos. E, para chegar a esse valor, é necessário cobrar um preço médio de ingresso relativamente alto — levando em consideração, ainda, a questão da meia-entrada”, explica o entrevistado.
    Além disso, hoje, várias taxas incidem sobre o valor do ingresso: taxa de serviço, de processamento (ou meio de pagamento) e de administração. Essas tarifas existem em outros países, claro. Mas por aqui, o valor de um ingresso (que já não era barato, para início de conversa) acaba sendo inflado em cerca de 20% a 30% com as taxas.
    Em comunicado emitido na última terça (27), o Procon-SP informou que “desde 2023, já aplicou 3 multas contra a Q2 Ingressos, a Eventim Brasil e a T4F Entretenimento e neste momento possui uma investigação em curso sobre a cobrança indevida de taxas.”
    Mas problema também é mundial
    Não é que os ingressos estão caros só no Brasil. Na verdade, até temos uma vantagem: por aqui, não há a prática do “preço dinâmico”, que infla os valores de acordo com a demanda. Isso rendeu um problema enorme para os fãs ingleses de Oasis em 2025.
    Liam Gallagher durante apresentação do Oasis, em São Paulo
    Joshua Halling/Divulgação
    Em alguns lugares, como os Estados Unidos, há variação de preços mesmo dentro de um mesmo setor. Quanto mais perto do palco ou melhor a vista, mais caro o ingresso.
    “Eu sempre digo para todo mundo: antes de chorar, olha quanto estão pagando os outros fãs dos Estados Unidos, que são realmente o mercado mais caro. É onde os artistas fazem a festa, onde o onde eles vão mais ganhar, vai ser nos EUA. Menos impostos, mais mercado, cobra-se mais caro, tem melhor infraestrutura para receber os shows”, diz o entrevistado.
    Até o Trump já disse que os shows estão com “preços malucos”. Há anos, a Ticketmaster enfrenta processos de órgãos americanos, sob acusações de preços predatórios, taxas enganosas e monopólio da indústria (a ticketeria se tornou a principal do mundo após a fusão com a Live Nation, em 2010).
    O sucesso desse tipo de ticketerias tem a ver com o modelo de negócio: se antes a casa de shows arcava com a operação de vendas, hoje, parte desses custos é paga pelo consumidor na compra online.
    Taylor Swift no Estádio Nilson Santos, em 2023
    Stephanie Rodrigues/g1
    Tudo isso para um processo de compra que pode ser bem frustrante, além do preço exorbitante. Por isso, nem os artistas estão felizes: Taylor Swift, Pearl Jam, Robert Smith e Bruce Springsteen estão entre os nomes que já “compraram briga” com a Ticketmaster. Mas até hoje, encontraram poucas saídas.
    Por enquanto, a perspectiva não é boa: se os shows continuam esgotando, infelizmente, o mercado não tem estímulo algum pra abaixar os preços. Resta aos fãs entender até onde dá pra pagar.



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