A Prefeitura de Aparecida de Goiânia voltou a figurar no mapa da responsabilidade fiscal ao recuperar a nota Capag (Capacidade de Pagamento), concedida pela Secretaria do Tesouro Nacional. Com base no primeiro ano da gestão do prefeito Leandro Vilela, o município alcançou classificação B — a segunda mais alta —, o que já habilita a administração a contratar financiamentos, inclusive internacionais, com aval da União.
A nota Capag funciona como um indicador da saúde fiscal das cidades, avaliando a capacidade de honrar compromissos financeiros. Para o prefeito, o resultado simboliza um avanço importante após um período de desequilíbrio nas contas públicas.
A atual gestão herdou um cenário crítico, com dívida acumulada de aproximadamente R$ 500 milhões. Em pouco mais de um ano, já foram quitados mais de R$ 300 milhões em débitos, incluindo salários atrasados de servidores referentes a dezembro de 2024. À época da transição, serviços básicos enfrentavam dificuldades, com falta de insumos na saúde e até interrupção de serviços essenciais, como internet nos órgãos públicos.
Corte de gastos e revisão de contratos
Entre as medidas adotadas para reequilibrar as contas, a administração promoveu o cancelamento de contratos considerados ineficientes ou de baixo impacto para a população. Um dos exemplos foi a suspensão de um gasto mensal de R$ 1,5 milhão com totens de segurança que não apresentavam efetivos.

O prefeito Leandro Vilela também destacou a necessidade de reorganização administrativa, com redução significativa de cargos comissionados. A estrutura da máquina pública foi enxugada em cerca de 50%, com foco em produtividade e entrega de serviços.
Segundo Leandro Vilela, a situação encontrada evidenciou falhas graves na condução dos recursos públicos. A atual gestão afirma que continuará adotando medidas para elevar a classificação do município à nota A, considerada o mais alto nível de capacidade fiscal.
Indicadores positivos e novos investimentos
Um dos pontos reconhecidos na avaliação do Tesouro Nacional foi o controle das despesas com pessoal. Atualmente, o índice está em 43,97%, dentro dos limites considerados adequados, posicionando Aparecida na chamada “zona verde” da responsabilidade fiscal.
De acordo com o secretário da Fazenda, Carlos Eduardo de Paula, a recuperação da Capag representa mais do que um indicador técnico: abre portas para novos investimentos estruturantes.
“Essa classificação funciona como uma certidão de crédito. Ao recuperar a confiança fiscal, o município ganha condições de captar recursos e transformar esse avanço em obras e melhorias concretas para a população”, afirmou.
Entre os projetos previstos está a contratação de financiamento junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que deve viabilizar a execução de obras como trincheiras, parques e novas unidades escolares.
Histórico da Capag em Aparecida
Aparecida manteve nota A entre 2011 e 2021, durante gestões anteriores. Em 2023, com base em dados de 2022, a classificação caiu para B. Nos anos seguintes, 2024 e 2025, o município ficou sem avaliação.
Agora, com dados consolidados de 2025, referentes ao primeiro ano da atual administração, a cidade retoma a classificação com nota B, recuperando credibilidade fiscal e capacidade de investimento.

