Brasileirão, Couto Pereira: Coritiba 3 x 3 Athletico. Feliz daquele que vive para contar.
Atletiba: 14 de março de 1971. Belfort Duarte, 33 mil torcedores, divididos meio a meio. O Athletico que perdia por 2 a 0, daí fez 4 a 2, com gols de Sicupira, Nilson Borges (2) e Valtinho. No final, um gol de Paulo Vecchio, o terceiro das coxas, deu a identidade do jogo a história ser escrita: o Atletiba dos 4 a 3. Como repórter de rádio, atrás do gol da Igreja, chorei.
Essa geração de jovens coxas, tatuada por rebaixamentos, agora tem um Atletiba para chamar de seu: o do 3 a 3, dessa sexta feira, dia 11 de setembro de 2026.
No Couto Pereira, com 26 mil torcedores, em um mar de lama e de água, sob trovões e iluminado por raios, o Athletico ganhava de 3 a 1 dava um show. Com gols de Luiz Gustavo, Arthur Dias e Viveros, fez 3 a 1.
Mas, daí, com 10 jogadores (Breno Lopes foi expulso) e já sem o incômodo de Viveros, um português de nome bíblico, Josué, colocou a bola embaixo do braço e passou a cruzá-la à procura do acaso, do imponderável do herói improvável: o zagueiro Rodrigo Moledo, aos 39 anos já no canto do cisne, de cabeça, marcou aos 92 e 97 minutos empatando um jogo perdido. Todos os coxas choraram.
Ironizei no “Carneiro & Mafuz”, se Moledo, que havia enterrado o Coritiba contra o Mirassol, iria jogar. E jogou. E fez o que fez. Nada como já ter vivido para contar.
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Em 1963, o imortal Nelson Rodrigues, torcedor do Fluminense, passou a semana sendo profeta de uma vitória no Fla-Flu decisivo do Carioca. O Flamengo jogava pelo empate. Mas, daí, 170 mil torcedores viram o goleiro Marcial, um mineiro formado em medicina, fazer milagres pelo Flamengo. O jogo terminou 0 a 0, e o Mengo foi campeão.
Então, no “O Globo”, Nelson Rodrigues escreveu:
“Amigos, Marcial, num passe de mágica, fez a bola marrom, chutada à queima-roupa por Escurinho, sumir. Ao terminar o grande Fla-Flu, o profeta tratou de catar os trapos e saiu do Maracanã, mas de cabeça erguida. Era um vencido? Jamais… Eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta pode responder: ‘Pior para os fatos!’. É só”.
Sobre o jogo nadado, escrevo no próximo post.
Há mais de quatro décadas, o jornalista Augusto Mafuz interpreta como poucos a alma do povo atleticano em crônicas diárias movidas por loucura, conflito e emoção. A frase de um velho dito entre torcedores resume sua importância: quando estourava uma crise no Athletico, a saída era “ler o Mafuz para saber o que a gente está pensando sobre isso”.
Mafuz Antonio Abrão nasceu em Guarapuava, em 11 de maio de 1949, três dias antes da primeira das 11 vitórias consecutivas do Furacão. Chegou a Curitiba aos 17 anos e bateu à porta da Rádio Guairacá. Em 1968, iniciou como repórter de campo e, dois anos depois, escreveu textos históricos sobre o título do Athletico na Tribuna do Paraná, onde é colunista desde 1977.
Polêmico vocacional e bem-informado dos bastidores do futebol, Mafuz esconde, sob a pena perfurocortante, um homem doce e generoso. Amigo de infância de Carneiro Neto, segue em atividade no podcast Carneiro & Mafuz, provando que sua crônica continua em pé de guerra. Clique aqui e leia todas as colunas de Augusto Mafuz.
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