Há um ano, Goiás passou a contar com uma estrutura dedicada ao tratamento oncológico de crianças e adolescentes. O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) completa, nesta sexta-feira (25/9), um ano de inauguração oficial. Os primeiros atendimentos, no entanto, começaram em junho de 2025. Desde o início das atividades, a unidade já contabiliza 34.783 atendimentos, entre consultas, exames e procedimentos especializados. São 12.840 consultas multiprofissionais, 7.131 consultas médicas e 7.148 exames especializados. O complexo também realizou 3.678 sessões de quimioterapia, 2.077 cirurgias e 1.903 procedimentos cirúrgicos de menor porte.
Um dos exemplos do impacto da estrutura é o atendimento oferecido a Ariela Anita, de 13 anos. Moradora de Anápolis, ela está em tratamento contra o câncer desde março e hoje consegue realizar os procedimentos em Goiânia e retornar para casa após o atendimento. “Antigamente, quando não havia essa estrutura aqui, as pessoas precisavam ir para Barretos. Agora, com este hospital, tudo ficou muito melhor, porque podemos vir e voltar de forma rápida e tranquila”, afirmou a adolescente.
Além da facilidade proporcionada pela proximidade, Ariela também destaca o acolhimento recebido durante o tratamento. “Eles tratam você com amor e de forma muito humanizada, colocando-se no seu lugar”, relatou.

A mãe da adolescente, Lívia de Carvalho, de 41 anos, também ressalta a importância do atendimento humanizado. Segundo ela, o acolhimento oferecido pelos profissionais contribui para tornar o período de tratamento menos difícil para toda a família. “A gente vê muita empatia de cada profissional. Eu diria que construímos uma família aqui”, afirmou.
Para Lívia, a possibilidade de retornar para Anápolis após os procedimentos também ajuda a preservar a rotina familiar. “Hoje a gente vem, faz o procedimento e vai embora para casa. Tudo isso contribui para o tratamento e para o convívio da família”, explicou.
Tratamento concentrado em Goiás

A implantação do Cora também ampliou a capacidade de Goiás para atender casos de maior complexidade na oncologia pediátrica. De acordo com o oncologista pediátrico Renato Melaragno, antes da unidade, determinados pacientes precisavam buscar atendimento em diferentes serviços ou até mesmo fora do Estado. “A gente tem hoje aqui a possibilidade dessas crianças não saírem do Estado. Por exemplo, a gente teve metade dos pacientes praticamente com tumores cerebrais. Não tinha nenhum hospital aqui em Goiás que trate tumor cerebral. Vai para lá, vai para cá, fica muito quebrado [o tratamento]. Isso não é bom”, explicou.
Atualmente, crianças e adolescentes atendidos pelo Cora podem concentrar diferentes etapas do tratamento na própria unidade, incluindo consultas, exames especializados, quimioterapia e procedimentos cirúrgicos.
Desde março deste ano, o complexo também passou a oferecer transplante de medula óssea. Até o momento, nove procedimentos foram realizados.
A estrutura atende pacientes de diferentes municípios de Goiás e também recebe crianças e adolescentes encaminhados de outros estados, como Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amazonas e Bahia.
Diagnóstico e início do tratamento
Outro ponto destacado pela Secretaria de Estado da Saúde é a redução do intervalo entre a primeira consulta, o diagnóstico e o início do tratamento. Segundo o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, a média entre a primeira consulta no Cora e o começo da terapia é de cinco dias. “Ele faz todos os exames; tem o diagnóstico em três dias e inicia o tratamento dois dias depois. No caso de doença hematológica, a gente inicia o tratamento no mesmo dia do diagnóstico”, explicou.
Para o secretário, o atendimento especializado também produz efeitos sobre toda a estrutura familiar que acompanha a criança durante o tratamento. “Curar a criança é curar a sua família, porque uma criança doente adoece a família toda”, destacou.
Ao completar um ano de inauguração, o Cora se consolida como uma estrutura voltada à assistência oncológica especializada, reunindo diagnóstico, tratamento e procedimentos de alta complexidade em um único espaço e reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes e familiares para outras regiões do país.

