Rio de Janeiro, 2026 – Entrar nos bastidores da comunicação brasileira exige talento, mas manter-se relevante por décadas com uma conduta impecável exige princípios. É nessa intersecção que se destaca o diretor, jornalista e professor Moysés Faria. Longe das polêmicas e fiel ao lema de uma vida focada — “de casa para o trabalho e do trabalho para casa” —, Moysés carrega em sua bagagem profissional e acadêmica o conhecimento profundo da história da comunicação (capaz de narrar em detalhes desde a primeira irradiação do rádio no Brasil em 1922, no Morro da Urca) e a influência direta dos maiores gênios que o país já conheceu.
Um Olhar Humano que Transforma Vidas
Quem convive com Moysés Faria no Studio M sabe que sua verdadeira grandeza se mede pela humildade. Conhecido por tratar com o mesmo sorriso, atenção e profundo respeito desde a equipe de limpeza e do cafezinho até a alta cúpula das emissoras, o diretor atua como um mentor generoso para estudantes e novos atores.
Um exemplo claro de sua sensibilidade ocorreu nos bastidores do próprio estúdio, envolvendo a estudante de cinema da UFF, Ana Clara. Após não ter sido aprovada inicialmente para uma vaga de estágio por questões de perfil de produção, a estudante cruzou com o diretor na entrada do set, que estava acompanhado de sua grande amiga, a diretora Marlene Mattos. Ao notar o desânimo da jovem, Moysés ofereceu acolhimento e uma conversa franca ao lado da diretora de produção Claudia Lima. Questionada sobre o que achava do cinema nacional, a estudante respondeu com o coração: “Quero tanto ser uma operária da indústria cinematográfica que estou cursando o sexto período na UFF”. Aquela resposta sincera foi o suficiente para o diretor abrir as portas do mercado, garantindo à jovem dois anos de um estágio transformador.
Histórias assim se repetem silenciosamente. Muitos profissionais e atores que hoje estão estabelecidos no estrelato passaram pela mentoria e pelo voto de confiança de Moysés Faria.
A Era de Ouro do Rádio: Do ‘Menudo Mania’ à Rádio Fluminense
A sensibilidade e a bagagem de Moysés começaram a ser moldadas no rádio, impulsionadas por seu padrinho de profissão e amigo pessoal, o saudoso comunicador Ruy Santos (In memoriam). Comandante oficial do sucesso “Menudo Mania” na Rádio Manchete AM, Ruy ensinou a Moysés tudo sobre redação, técnica de leitura e gravações comerciais no auge das boy bands dos anos 80 (Dominó, Polegar, Trem da Alegria).
Pouco depois, Moysés ingressou como repórter de externa na Rádio Fluminense AM, cobrindo ao vivo a apuração direto das ruas nas históricas Eleições de 1986. No mesmo andar do prédio em Niterói, separados apenas pelas paredes dos estúdios, Moysés atuava no jornalismo da AM enquanto o estúdio ao lado sintonizava a revolucionária Fluminense FM (A “Maldita”). Foi nesse caldeirão que trabalhou lado a lado com nomes que se tornariam lendas da comunicação, como Mylena Ciribelli, além de vozes marcantes da FM como Monika Venerabile, Selma Boiron e Selma Vieira. Moysés também deixou sua marca histórica na Rádio Tamoio, Carioca e na Rádio Musical AM de Cantagalo, em 1986.
A Transição para as Telas e os Encontros na TV Globo

Assim como sua colega Mylena Ciribelli, Moysés migrou para a televisão. Sua primeira experiência na TV foi em 1983, gravando uma participação na novela “Eu Prometo” nos antigos estúdios Herbert Richers, na Tijuca. Em 1994, foi contratado pela TV Globo como ator e, a partir dos anos 2000, passou a atuar definitivamente como diretor nos Estúdios Globo (antigo Projac).
A vida na Televisão promoveu reencontros especiais: anos mais tarde, durante uma visita profissional a Central Globo de Jornalismo (CGJ) enquanto dirigia um reality show da emissora, Moysés Faria reencontrou Mylena Ciribelli — que na época atuava na produção do Globo Esporte —, momento em que recordaram com carinho os tempos de rádio.
Como diretor de Televisão, sua maior referência e inspiração artística foi o mestre Carlos Manga, com quem teve a oportunidade de trabalhar diretamente. Na direção e nos bastidores, também cultivou uma profunda amizade com o icônico Herval Rossano e uma sólida parceria, amizade e lealdade com Marlene Mattos.
Essa bagagem o credenciou a dirigir formatos de grande apelo popular e recordes de audiência, comandando atrações como o memorável Big Mix na TV (ao lado do DJ Marlboro), além de atuar em produções como Planeta Xuxa e FAMA. Atualmente, essa histórica parceria com o DJ Marlboro se renova: Moysés Faria foi o escolhido para assumir a direção geral do aguardado documentário “Legado: O Funk Vive”, estrelado pela cantora Mareé, filha do saudoso MC Marcinho. Ele também assina a direção de quadros de sucesso na TV aberta, como o “Transformação” no programa de Claudete Troiano na RedeTV, e o “Bastidores do Esporte” na HitTV Brasil.
Dos Palcos ao Cinema com Propósito
No teatro e no cinema, a assinatura de Moysés Faria reflete relevância social. Como diretor teatral, dirigiu musicais de enorme sucesso, como o aclamado “Belchior: Sujeito de Sorte”. No cinema, sua filmografia reúne longas e curtas marcantes, como Um Plano Quase Perfeito, Traição, Premonição, Um Salto para a Liberdade, além dos recentes sucessos Ela Partiu, o infantojuvenil pedagógico Bootcamp: A Disputa e o premiado Pílula Cura Gay (forte crítica à intolerância), além de documentários de impacto como Arte e Religiosidade e Aids: Uma Questão de Conduta.
Em um mercado competitivo, a trajetória de Moysés Faria prova que a verdadeira grandeza de um diretor se mede pela lealdade, pelo respeito ao próximo e pela capacidade de se manter simples, servindo de exemplo para as futuras gerações do audiovisual brasileiro.