A diretoria do Jóquei Clube de Goiás finalizou, neste sábado (7), a primeira etapa da força-tarefa para recuperar sua sede social, localizada na Avenida Anhanguera, no Setor Central de Goiânia. A mobilização reuniu a diretoria, membros dos Conselhos Fiscal e Deliberativo, além de aproximadamente 50 voluntários de diferentes áreas.
O movimento de recuperação da sede social do Jóquei teve início nesta quinta-feira (5), com o objetivo de mobilizar e reorganizar a estrutura física e administrativa da instituição, preservar seu acervo histórico e criar condições para a retomada gradual das atividades e a reabertura dos espaços ao público, que está no cronograma de reativação do espaço do clube.
A presidente do Jóquei Clube, Nívea de Paula, destaca que a mobilização busca recuperar não apenas a estrutura física, mas também a memória e a identidade da instituição, que fazem parte da história da Capital e que precisa ser retomada, com atividades físicas e esportivas, com atividades para os sócios e também com shows e eventos.

“Esta força tarefa é só o começo. Estamos entendendo as necessidades do Jóquei Clube e estamos colocando a mão na massa, com os voluntários, com os prestadores de serviços, com quem está disposto a ajudar a cuidar deste patrimônio, que não é só dos joqueanos, é da Capital, é dos goianienses e faz parte da história de todos”, afirmou.
Joquei em Ação
A iniciativa é realizada pelo programa “Jóquei em Ação”, programa de voluntários que é coordenado pelo arquiteto Kildere Whikichan. Segundo ele, o primeiro mutirão de limpeza e organização do imóvel, ao longo de três dias, contemplou a limpeza da sala de troféus, duas salas de arquivo e outros ambientes da sede, como a sala de sinuca, entre outros ambientes compartilhados.

Neste sábado (7), Whikichan explicou que as equipes se mobilizaram na limpeza. Foram cerca de 20 voluntários, somente com este trabalho, mas ao longo dos três dias, passaram entre 40 e 50, além de funcionários, sócios e familiares destes joqueanos que estão focados em revitalizar e colocar o espaço para funcionar novamente.“Nosso objetivo principal é reativar o clube social. Por isso, mobilizamos essa organização e limpeza”, pontua.
Wesley Ferreira, zelador e prestador de serviço responsável pela manutenção da sede social do clube, explica que esta é a primeira vez que uma força-tarefa deste tamanho é feita com o intuito de revitalizar o espaço, que está desativado desde 2009, apenas com manutenções e fiscalizações feitas por ele, sem eventos e sem atividades. “Nunca tinha visto uma mobilização tão grande como esta. Um feito para mobilizar os joqueanos para participar e reativar esse espaço”, contou.
Segundo o vice-presidente do Joquei Clube, Isnard Júnior, este movimento acontece porque toda a entidade quer trazer o joqueano para o espaço, para utilizar a sede social, como já aconteceu com o Hipódromo da Lagoinha. “É uma união, com voluntários, funcionários, sócios e quem está querendo resgatar a nossa história”, disse.
Documentos de sócios, registros administrativos e projetos relacionados ao clube e ao Hipódromo serão separados, catalogados e preparados para digitalização.
O historiador e voluntário Johnathan Reis auxiliou neste processo. Segundo ele, ao longo destes três dias, vários documentos de sócios – ativos, inativos e remidos, além de contratos, foram identificados e estão sendo organizados. “Vi um anúncio, um convite nas redes sociais, por meio do meu pai, e vim contribuir com o Jóquei, que é um patrimônio histórico para Goiânia e precisa ser revitalizado para toda a população. Na minha área, encontrei e estou organizando vários documentos, inclusive, que têm muita importância e devem ajudar na reestruturação da entidade”, descreveu.
Recuperação e reativação do espaço
A diretoria também busca ampliar a participação de entidades e parceiros interessados em contribuir com o projeto. A proposta é estabelecer uma rede de colaboração para viabilizar as intervenções e permitir que o imóvel volte a desempenhar uma função cultural, social e esportiva na cidade.
Conforme o presidente do Conselho Fiscal da Entidade, Marcelo Alvim, o espaço está na história do goianiense e o resgate do Jóquei Clube está sendo feito por uma gestão plural, com membros de diferentes segmentos profissionais, e muitas parcerias. “Várias visões, várias pessoas, mas todas com esse mesmo objetivo”, pontuou.
O presidente do Conselho Deliberativo, Maurício Roriz, é um dos entusiastas da retomada do espaço, que contava com 16 modalidades esportivas somente na sede social. Conforme o dirigente, este espaço já foi importante para Goiânia, para a descoberta e treinamento de muitos talentos, além de ser um palco importante de disputas e campeonatos municipais, estaduais e até mesmo nacional. “Estamos recuperando a imagem deste Jóquei Clube, revitalizando o espaço para voltar todas as atividades, para trazer os joqueanos e os goianienses para esta sede social, que é importante e está na história da Capital”, disse.
Carnaval 2027
A diretoria estuda, por exemplo, a realização de eventos ligados ao carnaval de Goiânia, considerando a tradição da instituição na programação carnavalesca da capital. Conforme a presidente, o estacionamento e o salão estão entre os ambientes que poderão receber blocos e outras iniciativas, desde que atendam às exigências técnicas e de segurança.
“Um dos projetos é trazer o carnaval de blocos, que é tão tradicional em Goiânia, para o Jóquei Clube. O clube sempre teve essa tradição. Ainda que a gente não consiga fazer um grande evento interno, temos o espaço do estacionamento e do salão, e queremos viabilizar o carnaval de blocos aqui”, afirma a presidente.
Nívea também reforça que o clube está aberto à colaboração de outras entidades. “Estamos abertos a novas parcerias, a pegar na mão de outras instituições que queiram nos ajudar. Toda ajuda é bem-vinda. O Jóquei precisa dessa ajuda e a gente conta com todo mundo, de todos os goianienses”, pontuou.
Processo de desapropriação da sede
Paralelamente à mobilização para recuperar a estrutura e retomar as atividades, o Jóquei Clube enfrenta uma disputa judicial envolvendo a desapropriação de sua sede social pela Prefeitura de Goiânia.
O processo, movido pela Prefeitura de Goiânia, pretende obter a posse do imóvel mediante desapropriação. Porém, a defesa do Jóquei Clube contesta a evolução dos valores apresentados pelo município na cobrança de impostos, por exemplo.
Conforme os dados do processo, a Prefeitura atribui ao Jóquei um passivo tributário de aproximadamente R$ 226,97 milhões, dos quais R$ 51,08 milhões estariam relacionados aos imóveis objeto da desapropriação. A entidade questiona os critérios da cobrança e, sobretudo, a legalidade de utilizar esses débitos para reduzir o valor da indenização.
Nívea explica que o processo não é definitivo, ainda não é o momento de finalizar esse processo de desapropriação. “Ainda é muito cedo para falar em conclusão de desapropriação, para falar da perda deste espaço. O Joquei Clube está resgatando e reconstruindo o espaço, estamos transformando e dando continuidade para mostrar para o município que as pessoas mais capazes de coordenar o espaço são os próprios joqueanos”, concluiu.

