
A empresa MV Projetos e Consultoria, ligada ao ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre os anos de 2022 e 2025. As informações foram inicialmente divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo. Os valores constam em registros fiscais declarados pela própria instituição financeira à Receita Federal e posteriormente encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que investiga suspeitas envolvendo o banco.
De acordo com os dados, a empresa de Perillo recebeu R$ 1.673.511,85 em 2023, R$ 4.538.324,15 em 2024 e R$ 8.335.876,23 em 2025. Os repasses fazem parte de uma lista mais ampla de pagamentos realizados pelo banco a políticos, ex-ministros e escritórios de advocacia com atuação em Brasília.
Em nota, a assessoria do ex-governador afirmou que os valores são decorrentes de serviços de consultoria prestados a uma empresa considerada idônea à época da contratação. O comunicado destaca ainda que Perillo está afastado de funções públicas há mais de oito anos e atua exclusivamente na iniciativa privada desde então. Segundo a defesa, o contrato com o banco foi encerrado em julho de 2025.
Além de Perillo, outros nomes de destaque aparecem nos documentos encaminhados à CPI, como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, o presidente do União Brasil Antonio Rueda e o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski.
Outro goiano citado é Henrique Meirelles, que, segundo os registros, recebeu R$ 18,5 milhões em contratos de consultoria com o banco. Em nota, ele informou que o vínculo foi encerrado em julho de 2025.
Entenda o caso
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, após a identificação de irregularidades financeiras. A instituição, controlada por Daniel Vorcaro, passou a ser alvo de investigações por suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e possível atuação de organização criminosa.
Documentos enviados pela Receita Federal à CPI revelam que, entre 2022 e 2025, o banco realizou transferências milionárias a empresas de consultoria e escritórios de advocacia ligados a políticos e ex-autoridades.
Entre os valores destacados estão:
R$ 14,5 milhões para a empresa de Marconi Perillo
R$ 14 milhões para a consultoria de Guido Mantega
R$ 18,5 milhões para a empresa de Henrique Meirelles
R$ 10 milhões para escritório ligado a Michel Temer
R$ 5,45 milhões para empresa de ACM Neto
As defesas dos citados sustentam que os valores correspondem a serviços efetivamente prestados. Alguns envolvidos também questionam a forma como os dados foram divulgados, alegando vazamento ilegal de informações.

