
A retirada de parte do sigilo das investigações sobre o Banco Master revelou nesta sexta-feira, 11 de setembro, um dos capítulos politicamente mais explosivos do caso: o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado ainda em julho a abertura de um inquérito contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas aos recursos repassados pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o projeto do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O inquérito foi autorizado por Mendonça em 22 de julho, após representação da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão permaneceu sob sigilo e somente agora teve sua existência revelada com a abertura de parte dos procedimentos ligados ao escândalo do Master.
O novo elemento amplia significativamente a dimensão política do caso, que já envolve suspeitas sobre operações financeiras bilionárias, relações de Vorcaro com autoridades e agentes públicos e questionamentos sobre o acesso do empresário a diferentes estruturas de poder.
Flávio Bolsonaro (PL) nega irregularidades. O senador afirma que os recursos obtidos junto a Vorcaro tiveram natureza privada e foram destinados à produção do filme sobre seu pai. A existência de um inquérito, por si só, não representa denúncia ou condenação, mas significa que a Polícia Federal recebeu autorização para aprofundar formalmente a apuração das suspeitas.
A investigação ganhou ainda mais peso após André Mendonça homologar, na quarta-feira, 9 de setembro, o acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como um dos operadores financeiros ligados a Vorcaro.
Segundo informações que vieram a público sobre a colaboração, Freixo relatou repasses superiores a US$ 12 milhões para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, utilizado no financiamento do projeto cinematográfico. A investigação busca esclarecer a origem, o caminho e a destinação final desses recursos.
A revelação ocorre justamente quando o STF começa a permitir maior acesso aos documentos do caso Master. A abertura, porém, é parcial. Apesar da divulgação de diversos procedimentos, documentos e diligências consideradas sensíveis continuam protegidos pelo sigilo judicial.
O episódio acrescenta um componente eleitoral de enorme relevância ao caso. Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial de 2026 enquanto uma investigação no Supremo analisa sua participação em operações financeiras vinculadas a Daniel Vorcaro.
A partir de agora, uma das questões centrais será determinar se os recursos destinados ao projeto Dark Horse constituíram apenas um investimento privado na produção cinematográfica, como sustenta Flávio, ou se as movimentações financeiras tiveram outras finalidades, hipótese investigada pela Polícia Federal.
É justamente nesse ponto que o caso Master deixa de ser apenas um escândalo bancário e passa a ocupar também o centro da disputa política e institucional brasileira. Com a abertura de novos documentos, delações e procedimentos, o alcance das relações mantidas por Daniel Vorcaro começa a ser conhecido de maneira mais ampla.
As investigações continuam, e qualquer responsabilização dependerá da comprovação das suspeitas, da atuação da Procuradoria-Geral da República e das futuras decisões do Supremo Tribunal Federal.

