
Um Airbus A321 da Iberia, que decolou do Recife (PE) com destino a Madri, quase colidiu com um Boeing 787-9 da Air Europa, que fazia o trajeto entre Madri e São Paulo. As aeronaves sobrevoavam o Oceano Atlântico, próximo à costa do Saara Ocidental.
O TCAS (Traffic Collision Avoidance System, ou Sistema de Prevenção de Colisão em Tráfego) identificou o risco de aproximação entre as aeronaves, alertou os pilotos e determinou manobras de altitude que afastaram os aviões.
Segundo informações divulgadas sobre o episódio, o sistema ordenou que o Airbus A321 da Iberia descesse cerca de 150 metros, enquanto indicou que o Boeing 787-9 da Air Europa subisse aproximadamente 120 metros.
As aeronaves executaram as manobras e seguiram viagem após ampliar a separação entre os voos.
O episódio ocorreu na noite do dia 10 de julho, mas só foi divulgado na sexta-feira (17) pelo site especializado The Aviation Herald.
O TCAS funciona como uma camada independente de segurança da aviação. O equipamento troca informações com os transponders de outras aeronaves próximas, recebendo dados como altitude, velocidade e identificação do voo.
Com esses dados, calcula a trajetória dos aviões e identifica situações em que uma aproximação pode representar risco de colisão.
Quando detecta uma ameaça, o sistema emite alertas na cabine. O primeiro nível, chamado de Traffic Advisory (TA), avisa os pilotos sobre a presença de outra aeronave próxima.
Se o risco aumenta, o equipamento envia um Resolution Advisory (RA), com uma orientação específica de manobra, como subir ou descer.
O diferencial do TCAS é que os sistemas das duas aeronaves conseguem coordenar as respostas.
Em uma situação de conflito, um avião recebe uma instrução para subir e o outro uma orientação oposta, como descer, para aumentar rapidamente a distância vertical entre eles.
Sistema funciona como última barreira
O TCAS não substitui os pilotos nem o controle de tráfego aéreo. Ele atua como uma proteção adicional quando os mecanismos tradicionais de separação entre aeronaves não conseguem impedir uma aproximação perigosa.
Em situações de emergência, os pilotos seguem as orientações do equipamento porque o sistema analisa a posição e o movimento das aeronaves em tempo real. A responsabilidade final pela condução do voo continua com a tripulação.
O desenvolvimento do TCAS ganhou força após acidentes envolvendo colisões no ar e aproximações perigosas entre aeronaves.
A tecnologia passou a integrar os protocolos internacionais de segurança e hoje equipa aviões comerciais de maior porte.
Além do sistema anticolisão, a aviação comercial utiliza outras barreiras de proteção, como radares, comunicação entre pilotos e controladores, sistemas de navegação e procedimentos operacionais.
A investigação sobre o episódio envolvendo o Airbus A321 da Iberia e o Boeing 787-9 da Air Europa deverá esclarecer as circunstâncias que levaram à aproximação entre os aviões e avaliar a atuação dos sistemas de segurança envolvidos.

