
A saúde bucal é parte essencial do desenvolvimento infantil e deve receber atenção desde os primeiros meses de vida. Essa é a principal mensagem do Julho Neon, movimento nacional voltado à conscientização sobre os cuidados com a boca. O alerta é reforçado por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertam sobre o fato de que as doenças bucais atingem cerca de 3,7 bilhões de pessoas em todo o mundo e, entre as crianças, mais de 510 milhões vivem com cárie não tratada nos dentes de leite, uma condição que pode ser evitada com medidas simples de prevenção e acompanhamento profissional.
O Dr. Diogo Vargas, dentista e docente na Afya Centro Universitário Itaperuna, destaca que a saúde bucal está diretamente ligada ao desenvolvimento infantil e que o acompanhamento odontológico deve começar no primeiro ano de vida.
“Ainda existe a ideia de que os dentes de leite, por serem temporários, não precisam de tantos cuidados, mas esse é um equívoco. Eles são fundamentais para a mastigação, o desenvolvimento da fala, o crescimento adequado da face e para manter o espaço dos dentes permanentes, além de influenciarem a saúde bucal futura da criança. Quando problemas como a cárie não são tratados nessa fase, aumentam as chances de complicações nos demais dentes e até nos permanentes. Por isso, a prevenção desde os primeiros anos de vida, com higiene adequada, alimentação saudável e acompanhamento odontológico, é essencial para garantir um desenvolvimento infantil saudável”, afirma.
Segundo o especialista, os cuidados com a saúde bucal devem ter início desde o nascimento. Antes da erupção do primeiro dente, a limpeza da gengiva pode ser realizada para remover resíduos de leite. A escovação, no entanto, passa a ser indispensável assim que o primeiro dente aparece, utilizando escova infantil de cerdas macias e creme dental na quantidade recomendada para a idade.
Nessa fase, a higiene deve ser feita pelos pais ou responsáveis, já que a criança ainda não possui coordenação motora suficiente para realizar a escovação de forma eficiente. Mesmo quando ela começa a escovar os próprios dentes, a supervisão dos adultos deve continuar, em geral, até cerca dos 8 anos de idade.
A boca também revela como está a saúde da criança
Mais do que prevenir cáries, as consultas odontológicas ajudam a identificar precocemente alterações que podem indicar outros problemas de saúde. “O cirurgião-dentista não avalia apenas os dentes, mas toda a saúde da cavidade oral, que muitas vezes revela alterações no desenvolvimento, na respiração, na deglutição e até sinais de outros problemas de saúde. Durante uma consulta de rotina, é possível identificar essas mudanças precocemente e, quando necessário, encaminhar a criança para outros especialistas. Esse trabalho integrado com pediatras, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e outros profissionais é fundamental, porque a saúde da criança deve ser vista de forma completa”, explica Dr. Diogo.
Essa visão é compartilhada pelo Dr. Gustavo Pinato, médico e professor de pós-graduação em Pediatria da Afya Ribeirão Preto. Segundo ele, a avaliação da cavidade oral faz parte da consulta pediátrica de rotina e inclui a observação dos lábios, gengivas, língua, mucosas, dentes e garganta. “A boca pode fornecer sinais importantes sobre hidratação, estado nutricional, infecções e até algumas doenças sistêmicas. Por isso, a avaliação da cavidade oral faz parte do exame físico da criança e contribui para o diagnóstico precoce de diferentes condições de saúde”, afirma.
Quando os pais devem ficar atentos?
Embora as consultas preventivas sejam a melhor forma de evitar complicações, alguns sinais exigem atenção e devem motivar uma avaliação médica ou odontológica. Entre eles estão dor de dente, feridas na boca que não cicatrizam em até duas semanas, sangramento frequente das gengivas, placas brancas persistentes, mau hálito contínuo, dificuldade para mastigar ou engolir, inchaço da gengiva ou da face e secreções na boca.
De acordo com o médico, situações como febre associada à dor na boca, inchaço facial progressivo, dificuldade para respirar, recusa de líquidos e sinais de desidratação exigem atendimento rápido.
Para os especialistas, odontologia e pediatria caminham juntas no cuidado com a criança. Alimentação, amamentação, desenvolvimento da fala, respiração, sono e hábitos de higiene influenciam tanto a saúde geral quanto a saúde bucal.
“O pediatra tem papel importante na orientação sobre higiene e alimentação, na identificação precoce de alterações e no encaminhamento ao odontopediatra quando necessário. Da mesma forma, o dentista pode identificar sinais que indiquem a necessidade de avaliação por outros profissionais. Esse cuidado integrado contribui para um desenvolvimento mais saudável e para a prevenção de doenças”, conclui Dr. Gustavo.

