
A Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento da França, aprovou nesta quarta-feira (4) uma moção de desconfiança para destituir o primeiro-ministro do país, Michel Barnier. Foram 331 votos a favor da destituição entre os 574 parlamentares da casa.
Na França, o presidente, chefe de Estado, aponta um premiê para chefiar o governo. A última vez que uma moção de desconfiança contra um primeiro-ministro havia sido aprovada no Parlamento francês foi em 1962, quando Georges Pompidou foi destituído.
Porém, o então presidente Charles de Gaulle dissolveu a Assembleia Nacional em seguida e seu partido venceu as eleições legislativas, e Pompidou foi renomeado como primeiro-ministro.
O premiê recorreu à medida porque a proposta não teve votos para passar na Assembleia Nacional.
A coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP) e o partido de direita nacionalista Reagrupamento Nacional (RN), que juntos somam mais da metade dos assentos na casa, já vinham prometendo apresentar a moção há semanas, insatisfeitos com as propostas orçamentárias de Barnier.
Num pronunciamento antes da votação, o premiê alegou que suas medidas visaram trazer equilíbrio às contas do Estado francês.
“Sessenta bilhões [de euros] em juros é o que os franceses têm que pagar todo ano. Esta é a realidade e eu tentei encará-la. Esta realidade não desaparecerá pela mágica de uma moção de censura. Ela voltará para assombrar qualquer governo que vier. É sobre nossa soberania”, disse o primeiro-ministro, segundo informações da agência Reuters.
Barnier é do partido conservador Republicanos (LR) e foi indicado como premiê pelo presidente Emmanuel Macron em setembro, causando revolta na NFP, que foi a coalizão mais votada na eleição legislativa antecipada realizada em junho e julho, mas sua indicada foi rejeitada pelo presidente francês.
A França vive um impasse político, já que nenhum dos três principais blocos políticos no Parlamento – NFP, RN e o grupo de Macron – tem maioria absoluta na Assembleia Nacional.
Logo, qualquer indicado por Macron para substituir Barnier estará, como ele, sujeito a ser derrubado por um voto de desconfiança. A solução poderia ser a convocação de novas eleições legislativas, mas o presidente não pode chamá-las antes de junho de 2025.

